O que somos

Decisões individuais podem ter um grande impacto na sociedade como um todo. Isto é óbvio para decisões políticas, mas também é verdade para pequenas decisões quotidianas tomadas por cidadãos comuns. Indivíduos decidem como votar, ficar ou não em casa quando se sentem doentes, conduzir ou apanhar um autocarro. Isoladamente, estas decisões têm um resultado social insignificante, mas coletivamente determinam o desfecho de uma eleição e o início de uma epidemia. Durante muitos anos, o estudo destes processos limitava-se à observação de resultados finais ou à análise de pequenas amostras. Novas fontes de dados e ferramentas de análise tornaram possível começar a estudar o comportamento de grandes números de indivíduos, propiciando a emergência de investigação social quantitativa em grande escala.

No grupo de Investigação de Ciência de Dados e Política (DS&P) estamos interessados em perceber estes eventos de tomada de decisões, esperando que este conhecimento mais profundo leve a uma melhor compreensão da natureza humana, e a melhores decisões públicas.

No passado, focámo-nos principalmente em três tipos de problemas, fortemente dependentes simultaneamente do comportamento de indivíduos (no que designamos processos coletivos ascendentes (bottom-up) e dos decisores (as decisões descendentes, ou top-down).

O primeiro está relacionado com o que habitualmente identificamos como debate político e deliberação, em que tentamos responder a perguntas como:

  • Como é que as decisões políticas são tomadas?
  • O que as provoca?
  • Quais são os seus impactos?

O segundo é a dinâmica de doenças, infecciosas e não-infecciosas, e tentamos responder a perguntas como:

  • Podemos melhorar as previsões a muito curto prazo (nowcasting) e a prazos mais longos de várias doenças?
  • Conseguimos reduzir o excesso de  prescrição de antibióticos?

O terceiro é muito mais fundamental e decorre da perceção de que a Era Digital oferece-nos um espelho gigante, um macroscópio, que nos vai permitir compreender o comportamento humano numa escala completamente nova. Utilizando redes sociais e a disseminação de notícias falsas como estudos de caso, tentamos identificar os princípios subjacentes, tanto matemáticos como comportamentais, que podem ser generalizados a diferentes contextos. Perguntamos:

  • Podemos usar estas ferramentas para identificar e possivelmente reduzir os enviesamentos cognitivos?
  • Podemos identificar pequenas sub-populações e prever o(s) seu(s) impacto(s) mais extenso(s)?
  • Podemos usar este “macroscópio” de uma forma ética?

Recebemos uma subvenção do CEI (Conselho Europeu de Investigação, também conhecido como ERC, da sigla inglesa) para estudar estes enviesamentos na tomada de decisões, utilizando as notícias falsas como um estudo de caso.

Em paralelo, e reconhecendo que estas ferramentas podem ter um impacto muito negativo na sociedade, tentamos sensibilizar a opinião pública para estes riscos e envolver os cidadãos na definição de orientações e legislação éticas.

A Nossa
Missão

O nosso objetivo último é fomentar a participação de cientistas e não-cientistas na formulação de políticas e contribuir  para uma sociedade mais informada e crítica.